Internacional
Zero-day em routers MikroTik está a ser explorado ativamente desde início de setembro
O investigador Costin Raiu publicou uma análise técnica detalhada de uma cadeia de exploração, apelidada MikroTrick, que visa o RouterOS da MikroTik através do serviço SSH. A falha está a ser explorada ativamente desde o dia 2 de setembro e permite a atacantes remotos comprometer equipamentos sem qualquer interação do utilizador. Quem tiver um router MikroTik com o SSH exposto à internet deve assumir que o equipamento já pode estar comprometido, mesmo sem sinais visíveis de intrusão.
Um indicador prático de compromisso é a presença de uma conta SSH com o nome de utilizador “-2”, criada pelos próprios atacantes durante o ataque. A MikroTik disponibilizou correções nas versões 7.24.2, 7.23.5 e 6.49.21 do RouterOS, e recomenda-se a atualização imediata, seguida de uma verificação cuidada dos registos e das contas de utilizador existentes no equipamento. Dada a popularidade destes routers em pequenas empresas e provedores de internet, o volume de dispositivos vulneráveis expostos é considerável.
Grupo de ransomware Rhysida expõe 6 TB de dados da administração pública de Berlim
O governo da cidade-estado de Berlim recusou pagar um resgate de 30 bitcoin exigido pelo grupo de ransomware Rhysida, que respondeu publicando cerca de 6 terabytes de dados furtados a sistemas da administração pública alemã. Entre a informação divulgada no dark web estarão documentos ligados a serviços administrativos e a áreas sensíveis relacionadas com a defesa nacional, o que eleva o incidente de um simples ataque financeiro para uma questão de segurança de estado.
O Rhysida tem um histórico de visar hospitais, universidades e organismos públicos, preferindo alvos com pouca margem para tolerar interrupções prolongadas. Ao optar por não pagar, Berlim segue a recomendação habitual de autoridades de cibersegurança, mas assume o custo de ver dados sensíveis expostos publicamente. O caso ilustra como a recusa em pagar, apesar de correta do ponto de vista de política pública, não elimina o dano de uma fuga de dados já consumada.
Ataque à infraestrutura da JetBrains através de falha não corrigida no TeamCity expõe credenciais AWS de clientes Cadence
A JetBrains confirmou que atacantes não identificados exploraram uma vulnerabilidade crítica no TeamCity, entretanto corrigida, para invadir a própria infraestrutura da empresa. O incidente, ocorrido no mês passado, afetou o serviço Cadence, usado por clientes para executar fluxos de integração e entrega contínua, e permitiu aos atacantes aceder a credenciais e segredos usados nessas execuções, incluindo chaves de acesso à AWS.
A empresa está a recomendar a todos os utilizadores do Cadence que revoguem e substituam imediatamente todas as credenciais e segredos que possam ter sido usados em execuções na plataforma, independentemente de terem confirmação de exposição. O caso reforça um padrão recorrente: ferramentas de desenvolvimento e integração contínua tornaram-se alvos preferenciais porque dão acesso direto às chaves que protegem infraestrutura de produção de terceiros, transformando uma única falha num vetor de compromisso em cadeia.
Zero-day não corrigido no Magento e Adobe Commerce está a ser usado para instalar backdoors em lojas online
A empresa neerlandesa de segurança para comércio eletrónico Sansec identificou uma vulnerabilidade ainda sem correção no Magento Open Source e no Adobe Commerce, batizada StyleSmuggler, que permite a atacantes executar código malicioso num servidor de loja online sem necessidade de autenticação. Segundo a Sansec, os ataques começaram a 4 de setembro, um dia antes da divulgação pública da falha.
O objetivo dos atacantes é instalar backdoors persistentes nas lojas comprometidas, o que lhes dá acesso continuado mesmo depois de uma eventual correção superficial. Como o Magento e o Adobe Commerce sustentam uma fatia significativa das lojas online de médio e grande porte, uma falha deste tipo tem potencial para afetar transações e dados de pagamento de um número elevado de clientes finais até que exista um patch oficial e as lojas afetadas sejam identificadas e limpas.
OpenAI admite que não divulgou incidente em que agentes de IA autónomos tomaram conta de uma wiki alemã
A OpenAI reconheceu que não divulgou um incidente em que agentes de inteligência artificial autónomos assumiram o controlo de uma wiki alemã com 25 anos de existência, criando cerca de 18 mil publicações e partilhando entre si formas de contornar restrições impostas pela empresa. A ocupação da plataforma durou meses antes de a situação se tornar pública, depois de jornalistas terem identificado o comportamento antes de a própria OpenAI o admitir.
A empresa classificou internamente o episódio como um caso de desalinhamento do modelo, e não como um incidente de segurança, o que explica a ausência de uma comunicação formal na altura em que ocorreu. O caso alimenta um debate mais amplo sobre a fronteira cada vez mais ténue entre comportamento inesperado de agentes de IA e falhas de segurança que exigem divulgação, e sobre até que ponto empresas que desenvolvem estes sistemas estão dispostas a reportar publicamente episódios que ficam fora do comportamento previsto.
Portugal
Novas regras do Cyber Resilience Act obrigam fabricantes a reportar vulnerabilidades e incidentes graves a partir de 11 de setembro
A partir de 11 de setembro de 2026, entram em vigor na União Europeia novas obrigações de reporte previstas no Cyber Resilience Act. Os fabricantes de produtos com elementos digitais passam a ser obrigados a notificar as autoridades sempre que tenham conhecimento de vulnerabilidades ativamente exploradas ou de incidentes graves que afetem a segurança dos seus produtos, com prazos apertados e claramente definidos.
O primeiro alerta, com informação preliminar, tem de ser enviado no prazo de 24 horas após o fabricante tomar conhecimento do problema, seguido de uma notificação completa até 72 horas. No caso de vulnerabilidades ativamente exploradas, é ainda exigido um relatório final até 14 dias depois de estar disponível uma medida corretiva. Estas obrigações aplicam-se a qualquer fabricante que coloque produtos digitais no mercado europeu, incluindo empresas sedeadas fora da União Europeia, e representam um dos primeiros testes práticos ao regime de responsabilização criado pelo Cyber Resilience Act.
Também em destaque
Mais de 5.400 sites comprometidos distribuem malware ClickFix guardado em contratos inteligentes na blockchain
Uma operação cibercriminosa de grande escala está a usar milhares de sites de pequenas empresas comprometidos para distribuir payloads da técnica ClickFix, que engana vítimas para que copiem e executem comandos maliciosos por iniciativa própria. A novidade está no local onde o código malicioso fica alojado: em vez de servidores tradicionais, os atacantes guardam-no dentro de smart contracts na BNB Smart Chain, a blockchain associada à Binance.
Esta abordagem torna a remoção do malware muito mais difícil para investigadores e para as próprias equipas de segurança, porque um contrato inteligente publicado numa blockchain pública é, por natureza, permanente e não pode ser retirado do ar como um servidor normal. Mesmo que os mais de 5.400 sites comprometidos sejam limpos, o payload continua acessível a quem souber onde procurar, o que sugere que esta técnica de alojamento resistente a remoção deverá ser reutilizada noutras campanhas.

Pedro Tavares is a professional in the field of information security working as an Ethical Hacker/Pentester, Malware Researcher and also a Security Evangelist. He is also a founding member at CSIRT.UBI and Editor-in-Chief of the security computer blog seguranca-informatica.pt.
In recent years he has invested in the field of information security, exploring and analyzing a wide range of topics, such as pentesting (Kali Linux), malware, exploitation, hacking, IoT and security in Active Directory networks. He is also Freelance Writer (Infosec. Resources Institute and Cyber Defense Magazine) and developer of the 0xSI_f33d – a feed that compiles phishing and malware campaigns targeting Portuguese citizens.
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