Internacional
Novo ataque DDRop quebra a computação confidencial da Intel TDX e da AMD SEV-SNP
Investigadores documentaram um novo ataque de hardware, chamado DDRop, que anula as proteções de memória usadas pela computação confidencial da Intel (TDX) e da AMD (SEV-SNP). A técnica funciona ao descartar silenciosamente escritas na memória do servidor, fazendo com que o processador continue a ler dados antigos, mas cifrados, como se fossem os mais recentes.
O ataque exige que quem o executa já tenha controlo sobre o software do servidor e consiga um breve acesso físico à máquina, o suficiente para inserir um pequeno circuito que intercepta as escritas na memória. Por depender de acesso físico e de comprometimento prévio, o DDRop não é uma ameaça generalizada, mas expõe uma limitação de conceção nas garantias que a computação confidencial promete a operações que dependem de isolamento total do hardware, como banca ou processamento de dados sensíveis em nuvens partilhadas.
Grupo chinês Red Heron explora RCE no Gitea para comprometer 13 organizações em seis países
Um threat actor chinês identificado como Red Heron está a explorar rapidamente uma vulnerabilidade crítica de RCE recentemente divulgada no Gitea, uma plataforma de alojamento de repositórios Git, para comprometer instâncias expostas à internet. Segundo a Acronis Threat Research Unit, o grupo já examinou 1.386 instâncias Gitea em sete países, com um foco particular em 477 sistemas localizados em Taiwan.
A campanha confirma que grupos ligados à China continuam a priorizar infraestrutura de desenvolvimento de software como alvo, aproveitando a janela entre a divulgação de uma falha e a aplicação de patches pelas organizações. Instâncias Gitea expostas sem atualização imediata ficam vulneráveis a um takeover completo do servidor, o que pode comprometer código-fonte, credenciais e pipelines de integração contínua.
NCSC holandês alerta para falhas críticas na VPN da Check Point
A autoridade de cibersegurança dos Países Baixos (NCSC-NL) alertou para duas vulnerabilidades críticas nos produtos VPN da Check Point, ambas com uma pontuação CVSS de 9,8 e potencial para RCE sem autenticação. O alerta surge antes de haver exploração ativa confirmada, mas o NCSC considera que a exploração pode começar em breve, dado o histórico de ataques rápidos contra VPNs empresariais.
Organizações que usam VPN da Check Point são aconselhadas a aplicar os patches disponibilizados pelo fabricante e a restringir o acesso à interface de gestão até a atualização estar concluída. VPNs empresariais têm sido um alvo recorrente de grupos de ransomware e de espionagem precisamente porque oferecem um ponto de entrada direto à rede interna, o que torna o intervalo entre divulgação e exploração cada vez mais curto.
Revolut entregou dados de clientes a fraudadores que se fizeram passar por uma agência governamental
A Revolut confirmou ter partilhado informação sensível de clientes, incluindo dados financeiros e de passaporte, com terceiros não autorizados. Os fraudadores obtiveram acesso a uma conta de email de uma agência governamental legítima e usaram-na para submeter pedidos de dados de emergência, um mecanismo normalmente reservado a situações que exigem resposta imediata das empresas, sem verificação judicial prévia.
Este tipo de ataque, que explora pedidos de emergência de dados, já foi usado contra outras plataformas tecnológicas e depende da confiança automática que as empresas depositam em comunicações aparentemente oficiais. O caso da Revolut mostra que mesmo fintechs com processos de verificação robustos podem ser enganadas quando o pedido chega através de um canal governamental comprometido.
Grupo hacktivista pró-Ucrânia Hacking Cat passa a usar malware destrutivo contra alvos russos
O grupo hacktivista pró-Ucrânia conhecido como Hacking Cat evoluiu de ataques de desfiguração de sites e fugas de dados para operações mais sofisticadas e destrutivas contra alvos na Rússia, recorrendo agora a malware próprio. Investigadores associam esta mudança a uma tendência mais ampla de hacktivistas a adotar táticas antes reservadas a grupos apoiados por estados.
A transição de desfigurações simbólicas para malware destrutivo reflete uma escalada no conflito cibernético em torno da guerra na Ucrânia, onde grupos alinhados com ambos os lados têm vindo a adotar ferramentas cada vez mais próximas das usadas por atores estatais. Isto torna mais difícil distinguir hacktivismo de operações patrocinadas por governos, com implicações para a atribuição de ataques.
Portugal
Apenas metade das entidades abrangidas pelo novo regime de cibersegurança se registou no MyCiber antes do prazo
A quatro dias do fim do prazo, apenas cerca de metade das mais de cinco mil entidades que o CNCS estima estarem abrangidas pelo novo Regime Jurídico da Cibersegurança tinha concluído o registo na plataforma MyCiber. O prazo para a identificação e registo terminou a 15 de setembro, e o incumprimento constitui uma contraordenação grave, punível com coima.
O registo no MyCiber é o primeiro de uma série de obrigações com datas fixas previstas no novo regime, pelo que o atraso de metade das entidades levanta dúvidas sobre a capacidade do setor privado e público para cumprir as fases seguintes. O CNCS não divulgou, para já, se vai aplicar um período de tolerância antes de iniciar processos de contraordenação contra quem não cumprir o prazo.
Também em destaque
Centenas de sites falsos de governos enganam utilizadores na Ásia Central
Investigadores identificaram centenas de sites falsos que imitam páginas de agências governamentais em países da Ásia Central, concebidos para recolher dados de contacto das vítimas. Depois de captados, esses contactos são usados por burlões em chamadas telefónicas ou emails para tentar roubar dinheiro, dados pessoais ou obter acesso aos dispositivos das vítimas.
A escala da operação, com centenas de domínios a imitar serviços públicos, mostra como esquemas de phishing regionais estão a ganhar sofisticação ao explorar a confiança que os cidadãos depositam em portais oficiais. Ao contrário de campanhas de phishing mais genéricas, este esquema tira partido do facto de muitos serviços públicos terem migrado para plataformas online, tornando difícil para o cidadão comum distinguir um portal legítimo de uma cópia fraudulenta.

Pedro Tavares is a professional in the field of information security working as an Ethical Hacker/Pentester, Malware Researcher and also a Security Evangelist. He is also a founding member at CSIRT.UBI and Editor-in-Chief of the security computer blog seguranca-informatica.pt.
In recent years he has invested in the field of information security, exploring and analyzing a wide range of topics, such as pentesting (Kali Linux), malware, exploitation, hacking, IoT and security in Active Directory networks. He is also Freelance Writer (Infosec. Resources Institute and Cyber Defense Magazine) and developer of the 0xSI_f33d – a feed that compiles phishing and malware campaigns targeting Portuguese citizens.
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