Está em curso em Portugal desde o dia 1 de Abril de 2023 uma nova campanha de phishing bancário personificando a aplicação Moey! e que segundo uma análise à campanha, parece estar a ser orquestrada desde Marrocos.
A mensagem chega à caixa de email das vítimas oriundo de um domínio aleatório comprometido pelos criminosos através de email spoofing.
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Como pode ser observado, o template de phishing contém erros fruto de uma tradução através de ferramentas para essa finalidade. O mais evidente destaca-se: “ACTIVANDO NOVA SISTEMA”; quando deveria ser: “NOVO“.
A URL codificada no corpo do email direciona a vítima para um domínio aparentemente fidedigno. Do ponto de vista técnico, ao analisar o domínio de salto no VirusTotal ele não é marcado como malicioso, no entanto, o servidor que o hospeda tem sido amplamente utilizado no contexto do cibercrime como comprovado de seguida.
G33k Tip: O servidor de salto, como o próprio nome refere, realiza algumas verificações iniciais, incluindo se o endereço de IP de origem está em blacklist (VPN). Quando isso acontece é exibida uma mensagem de HTTP ERROR 500 que para os mais “simpáticos na análise”, é uma armadilha.
Ultrapassando todas as validações a vítima é direcionada para o phishkit.
https://afjindia.]com/moey/VR/
Moey! Phishkit: Here we go
O phishkit está alojado num servidor comprometido, e os criminosos solicitam inicialmente o número de telefone para recolher o código de acesso para posterior acesso à aplicação em nome da vítima.
Após receber o número de telefone, uma callback em background é ativada e é enviada através de um provider SMS na Internet uma SMS para o dispositivo.
A SMS chegou! E como diz no seu corpo, este tipo de mensagens não deverá ser partilhada com ninguém, muito menos com os autores deste tipo de campanhas.
Quando o código é introduzido na página, a vítima é direcionada para a página de autenticação, onde é então solicitado o código PIN.
Como observado abaixo, o código PIN é finalmente enviado para os criminosos através do ficheiro file.php no parametro: pin.
GOTCHA!
Tirando partido de algumas fragilidades de implementação deste tipo de esquemas maliciosos, foi possível executar código na máquina remota controlada pelos cibercriminosos e entender que servidor de comando e controlo é uma máquina Windows [header: “cec-ch-ua-platform” e sec-ch-ua-mobile: 0? (desktop)].
Foi também possível geo-localizar o servidor e a linguagem do navegador de Internet – Google Chrome: fr-fr.
Aos utilizadores sugere-se uma vez mais, alguma sensibilidade e análise quando confrontados com situações desta natureza. Quanto às organizações alvo neste tipo de investidas, sugere-se também algum controlo no tipo de acessos às contas dos utilizadores, nomeadamente através:
- Controlo de acesso por endereço de IP; temos observado que alguns grupos criminosos realizam os acessos através de endereços de IP geo-localizados no Brasil, e em alguns casos, sem VPN e através dos endereços de IP residenciais de forma a evitar firewalls.
- criação de honey-accounts, de forma a que os criminosos pensem estar a realizar a operação maliciosa numa conta legítima. Ao mesmo tempo este tipo de abordagem permite capturar indicadores do grupo malicioso, incluindo a sua geolocalização, tipo de dispositivo de acesso etc.
Todos os endereços foram adicionados ao 0xSI_f33d para que as organizações possam proceder ao bloqueio dos endereços de IP/domínios de forma eficaz.
Em caso de suspeita de campanhas de phishing ou malware partilhe a situação com as autoridades ou através do formulário disponível aqui, ou submeta a URL maliciosa/suspeita para o 0xSI_f33d.
Indicadores de Compromisso (IOCs)
URL salto: https://kiosn.com/uidi8299/ https://lokiyxs.com/said/ phishkit: https://afjindia.com/moey/VR/ C2 server: 160.178.199.82









