A blockchain e a segurança na transparência vai muito para além da realidade financeira. Introduzido com o bitcoin em 2009, esta tecnologia apresenta-se como uma solução disruptiva e aplicável aos mais diversos contextos. Os especialistas afirmam que ela pode ser usada para melhorar soluções de segurança, optimizar cadeias logísticas, como é o caso do do sector alimentar e automóvel, reduzir fraudes no sector público e salvaguardar infraestruturas de rede.

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A blockchain foi inicialmente concebida para facilitar transações financeiras sem a necessidade de uma terceira entidade de validação. A prova disso foi o Bitcoin, a primeira moeda criptográfica e que tem atingido valores históricos nos últimos tempos —1 Bitcoin (BTC) equivale a 414345$. Nos finais do mês de agosto de 2017 atingiu quase 5K de valorização.

 

A Blockchain é um sistema financeiro descentralizado por natureza. Não existe um sistema central para armazenamento de dados relacionados com transações, trocas, origens e atividade — a informação está distribuída por todo o mundo em computadores, que carregam consigo o registo de toda a cadeia (o livro-razão — ledger, em inglês).

Os sistemas descentralizados representam, agora, uma solução cada vez mais real, e a blockchain é o meio de transporte para vários tópicos (não só de cibersegurança). Dentro do horizonte da segurança da informação, o erro humano, ou melhor, a manipulação humana, pode ser, na maioria da vezes, o ponto nevrálgico para um problema de segurança. Estes problemas não são apenas vulnerabilidades de software. A manipulação de uma cadeia logística de venda de produtos alimentares pode ser um exemplo bem real.

 


Blockchain: Da carne estragada ao setor automóvel [1]

O uso da blockchain para detetar comida estragada está muito próximo de ser uma realidade. No final de agosto, a gigante IBM anunciou uma parceria com dez grandes empresas dos setores alimentar e de retalho, no sentido de usar o sistema para isso mesmo: registar o percurso dos alimentos em complexas cadeias de distribuição. Entre elas, companhias como a Nestlé, a Unilever e a Walmart, segundo a Reuters.

A ideia da IBM é ajudar estas empresas a mais facilmente poderem detetar e retirar do mercado algum tipo de produto contaminado ou estragado. Recorrendo a um sistema assente na blockchain, a IBM permitirá que os inspetores da segurança alimentar possam digitalizar o código de barras de um lote que se suspeita estar contaminado e descobrir, exatamente, de onde veio e para onde foi. Ou seja, fica mais fácil perceber a origem dos produtos e em que lojas foram entregues. Por exemplo, a Walmart já experimentou o sistema no âmbito do programa piloto, e foi capaz de descobrir a origem de um lote de mangas em apenas 2,2 segundos, segundo a Forbes. Numa situação normal, poderia demorar uma semana.

Em 2015, a Volkswagen viu-se obrigada a fazê-lo com 11 milhões de carros, depois do escândalo das emissões poluentes. Este ano, em março, foram notícia as 500 toneladas de carne suspeita que Portugal importou do Brasil. Nos dois casos, falamos de grandes quantidades, cujas unidades em concreto é difícil identificar – mas não seria assim se se usasse a blockchain.

 

Especialistas defendem uso de blockchain para reduzir fraudes no setor público [2]

Além de favorecer mais transparência às contas do governo, o blockchain foi defendido como alternativa para integrar as bases de dados dos órgãos públicos.

Segundo Van Sande, com essa tecnologia é possível definir as regras de como um dinheiro pode ser gasto, quem pode tomar decisões sobre ele e uma vez que isso está na rede, uma vez que isso está online, é matematicamente impossível desviar um centavo, sequer, fora daquelas regras que foram definidas. “Cinquenta por cento desse dinheiro vai para tal causa, trinta por cento vai para tal causa, vinte por cento vai ser administrado de tal forma, e se essas regras estão definidas a priori, é matematicamente impossível que esse dinheiro seja desviado de outra forma”, disse.

 

Gigante dos envios implementa o Blockchain para combater indústria de ciberataques [3]

A empresa de transporte marítimo anglo-americana Marine Transport International (MTI) implementou seu projeto piloto Blockchain que evitará ataques cibernéticos de tipo NotPetya.

Em um comunicado de imprensa hoje, a MTI, que trabalhou com a Universidade de Copenhague e a Agility Sciences que é baseada em Blockchain para entregar o Container Streams, disse que poderia ver “até 90 por cento de redução” nos custos administrativos.

“Nos últimos meses, a indústria de navegação foi vítima de ataques cibernéticos de escala industrial que deixaram grandes linhas marítimas de envios, como a Maersk, completamente paralisadas e incapazes de servir os clientes”, comentou o CEO Jody Cleworth.

 

Dmarket Usa a Blockchain para Oferecer Valor Real para Ativos Virtuais [4]

O Dmarket está se preparado para ser o primeiro mercado descentralizado, multiplataforma do mundo que promete reunir economias virtuais e reais. O Dmarket anunciou o primeiro mercado universal para o comércio entre jogos, trazendo valor real para o conteúdo virtual de qualquer jogo. A plataforma será baseada na tecnologia blockchain e nos contratos inteligentes para garantir transações rápidas e seguras.

Blockchain: o novo “petróleo” Russo [5]

A Fundação Ethereum trabalhará em conjunto com o Banco Russo Vnesheconombank (VEB) para apoiar o seu novo centro de pesquisa de blockchain, oferecendo treinamento especializado para a tecnologia dos registros distribuídos da ethereum.

A cooperação entre a Ethereum e a VEB oferece uma oportunidade única de se envolver em pesquisa e desenvolvimento sobre o uso da tecnologia blockchain para administração pública, e acelerar a adaptação desta tecnologia às organizações governamentais da Federação Russa.


A variedade dos casos de uso são evidentes. A Blockchain poderia resolver problemas ao partilhar automaticamente qualquer atividade suspeita ao longo da cadeia, porque é uma tecnologia totalmente transparente onde é possível identificar todos os pontos por onde determinada transação passou. Desta forma, e através de smartcontracts (pequenos trechos de lógica computacional), seria possível conceber monitorização e comportamentos que podem, ou não, ser executados.

 

Consciencialização

A Gartner alerta ainda para os principais erros de projetos empresariais baseados na blockchain. A consultora alerta que os executivos de TI devem estar atentos aos erros comuns que levam a problemas e falhas em projetos empresariais de blockchain. As empresas já começaram e experimentar a tecnologia em uma ampla gama de situações mas os analistas estimam que 90% dos projetos de blockchain empresariais lançados em 2015 irão falhar entre os 18 a 24 meses [6].

Esta é uma tecnologia ainda na sua infância mas as suas potencialidades são bastante evidentes. Aproxima-se, certamente, uma nova era: “Post-blockchain”.

 

Referencias:

[1] https://eco.pt/2017/09/04/blockchain-da-carne-estragada-ao-setor-automovel
[2] http://computerworld.com.br/especialistas-defendem-uso-de-blockchain-para-
[3] https://br.cointelegraph.com/news/shipping-giant-deploys-blockchain-to-com
[4] https://portaldobitcoin.com/dmarket/
[5] https://www.criptomoedasfacil.com/blockchain-o-novo-petroleo-russo/
[6] http://www.bit.pt/gartner-alerta-principais-erros-projetos-empresariais-blockchain/