Introdução
Para que uma organização minimize a probabilidade de sofrer um ataque informático é recomendada uma doutrina de segurança que vise proteger não só a infraestrutura em que esta está assente, mas também promover de forma permanente o treino e a educação dos seus funcionários.
Atualmente o phishing tem-se tornado numa arma letal contra as organizações, e tem ganho por isso bastante relevância e “poder de fogo” no mundo digital. Os ciber atacantes têm tirado partido desta abordagem dado que ela se tornou num canal tão simplificado para fazer chegar às vítimas toda a sua engenhosa maquinaria maliciosa. Quando se fala em phishing e engenharia social em geral, não nos queremos focar principalmente na entrega de malware através de campanhas fraudulentas — a engenharia social é muito mais do que isso.
Uma das técnicas amplamente empregue dentro deste contexto são os Business Email Compromise (BEC) attacks, e que têm como objetivo comprometer uma conta de um executivo de uma empresa — normalmente o CEO — e com isso solicitar a transferência de fundos ou de documentação sensível para determinado repositório da posse do atacante. Este tipo de ataques podem ser alavancados através do comprometimento de uma conta de e-mail ou também através de e-mail spoofing. Este problema de segurança está a afetar um grande número de empresas em todo o mundo e estima-se que em 2018 sejam desviados mais de 9 biliões de dolares pelos criminosos em esquemas desta linha.
Rumo à Ciber Higienização
A ciber higiene diz respeito aos cuidados básicos de segurança no ciberespaço, ou melhor, no mundo cada vez mais online. Ciber higiene surge do termo inglês Cyber Hygiene que começou a ser bastante popular desde agosto de 2005, segundo o Google Trends. Este conceito trouxe agarrada a importância da aplicação das boas práticas de segurança nas diversas vertentes da segurança da informação com a finalidade de prevenir ciber ataques tanto para indivíduos como para organizações.

É possível fazer uma analogia de ciber higiene com a nossa higiene pessoal. Por exemplo, tomar banho e escovar os dentes são atividades primárias e indispensáveis para qualquer indivíduo que preza pela sua higiene pessoal. Gestão de risco, implementação de controlos de acesso e monitorização ativa são exemplos de atividades também elas primárias e indispensáveis para quem preza a proteção e segurança do seu ciberespaço contra ameaças e ataques informáticos.
Com a entrada em vigor do novo regulamento que visa responsabilizar as empresas e os indivíduos pelo tratamento de dados pessoais (RGPD), tornou-se indispensável a criação de uma nova doutrina nas organizações e nas pessoas.
São necessárias garantias mínimas de segurança ao nível de infraestrutura — diversificação e segmentação para uma melhor aplicação de boas práticas — e também dotar as pessoas de treino e consciencializá-las para esta importante temática da segurança.
Ciber Higiene — Para uma Melhor Proteção
O foco da ciber higiene é segmentar as atividades diárias e aplicar uma melhor segurança a cada uma delas — como diz um ditado africano, “se pelo caminho encontrares um elefante, então parte o elefante às postas”. Nestes dias, é quase obrigatório e urgente a necessidade de especialistas em cibersegurança nas empresas. Avaliar a necessidade dos sistemas, consciencializar os funcionários — não nos seria possível definir a quantidade de tarefas ao qual um especialista da área poderia estar alocado. No entanto, em baixo são elencadas algumas medidas que visam uma implementação mínima e adequada tanto do ponto de vista organizacional como da vertente humana — a peça mais vulnerável do tabuleiro.
Implementar um sistema de backups
Os sistemas falham e podem ser comprometidos. Implemente um sistema de backups.
Gestão de riscos de segurança
Contrate alguém da cibersegurança por mais pequena que seja a organização. Faça a gestão de risco dos sistemas e torne isso pauta de reunião.
Gestão de controlo de acessos
Desativar contas de ex-funcionários e fornecer apenas o acesso necessário para os colaboradores realizarem as respectivas funções do dia a dia pode ser um bom início.
Autenticação nos sistemas
Proteja os sistemas contra acessos não autorizados. Altere a palavra-passe padrão. Defina palavras-passe complexas (p.ex., maiores que 9 carateres com um misto de letras, números e carateres especiais). Utilize um modelo de segundo fator de autenticação.
Filtros de SPAM no email
A organização deve estar apetrechada com IDSs de rede ou outro tipo de mecanismos de forma a filtrar e gerar alertas de e-mails potencialmente maliciosos. A maioria dos BEC attacks podem ser detetados numa fase precoce.
Registe domínios semelhantes
Evite ataques de email spoofing. Registe domínios similares aos da sua organização. Crie regras SPF e DKM ao nível do DNS.
Treinar e consciencializar os funcionários relativamente à engenharia social
Promova ações de formação. Apresente casos práticos. Consciencialize os funcionários da sua organização.
Teste a organização
Contacte uma entidade do sector da segurança de forma a “testar” os funcionários da organização contra ataques de phishing. Valide se eles aprenderam e realizaram o TPC. Promova esses eventos várias vezes ao ano.
Audite a organização
Realize auditorias de segurança regulares.
De resto, mantenha-se atualizado e procure sempre o caminho certo. Lembre-se do conceito de clean desk, e não deixe documentos importantes espalhados pela sua secretária. Alguém pode ler, tirar uma foto, levar para casa e partilhar. Seja asseado, a sua organização agradecerá.
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Este artigo é patrocinado pela RISEMA, uma empresa da área da informática fundada em 1992 e com soluções para micro, pequenas e médias empresas.

Pedro Tavares is a professional in the field of information security working as an Ethical Hacker/Pentester, Malware Researcher and also a Security Evangelist. He is also a founding member at CSIRT.UBI and Editor-in-Chief of the security computer blog seguranca-informatica.pt.
In recent years he has invested in the field of information security, exploring and analyzing a wide range of topics, such as pentesting (Kali Linux), malware, exploitation, hacking, IoT and security in Active Directory networks. He is also Freelance Writer (Infosec. Resources Institute and Cyber Defense Magazine) and developer of the 0xSI_f33d – a feed that compiles phishing and malware campaigns targeting Portuguese citizens.
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